A mulher moderna e o dilema de não menstruar

 

Toda menina sonha com o dia em que se tornará “mocinha”- com a chegada da primeira menstruação-  e quando isso acontece, muitas vezes ganha presentes da mãe, comemora secretamente com as amigas e começa a deixar as bonecas de lado.  Seus interesses começam a mudar quase imperceptivelmente.

 

 

 

 

Em algumas religiões o sangramento é tão bem-vindo que toda família celebra e casamentos são marcados, independente da idade da noiva. Os hábitos mudam os interesses também. Mas esta alegria não dura muito tempo porque logo a menina moça começa a sentir as cólicas, a se incomodar com os inchaços e penas com os efeitos da terrível TPM.

 

 

 

Já se foi o tempo em que o senso comum dizia que não fazia bem para a saúde da mulher interromper o ciclo menstrual. Sabemos hoje que a decisão é da mulher e que, na decisão de não menstruar, há métodos que se adaptam a cada tipo e às necessidades especificas de cada uma. Com a evolução das pesquisas nesta área da Medicina, há benefícios identificados com a interrupção do ciclo menstrual. Em conjunto com seu médico, a mulher poderá examinar todas as opções disponíveis  e tomar a decisão mais acertada para o seu caso. Alguns dos problemas que desaparecem assim que a mulher para de menstruar são:  Endometriose, tensão pré-menstruação, dismenorreia, anemia e as alterações de humor causadas pelos hormônios.

A menstruação não causava tantos problemas no passado, porque antigamente as mulheres simplesmente não menstruavam tanto. As menarcas (a primeira menstruação) de nossas tataravós ocorriam por volta dos 17 anos, enquanto que, atualmente, há registro de casos de meninas menstruando antes dos 11 anos de idade. No passado, as mulheres também não demoravam a engravidar. Não menstruavam durantes os nove meses de gravidez, nem durante o aleitamento -– que costumava durar de dois a três anos. Assim que voltavam a menstruar, logo engravidavam novamente. E como a expectativa de vida não era das mais altas, elas não raro morriam antes da menopausa.

 

 

Em geral, os métodos de interrupção funcionam de maneira parecida. A administração contínua de hormônios, alguns apenas de progesterona e outros com a combinação dele com o estrogênio, suspende a menstruação, que só virá caso haja pausa do método. Os métodos mais comuns atualmente são pílulas anticoncepcionais sem interrupção, injeções mensais ou trimestrais de hormônio, implantes subcutâneos e DIU (Dispositivo Intrauterino).

 

 

 

 

Mirena é um sistema intrauterino que libera hormônios, indicado para prevenir a gravidez, para o tratamento da perda de sangue abundante e exagerada durante o período menstrual ou em caso de endometriose, quando ocorre o crescimento exagerado e anormal do tecido que reveste o útero, o endométrio.

 

 

 

A forma em “T” do dispositivo ajusta-se à forma do útero. O braço vertical do corpo em “T” contém um reservatório de fármaco que contém levonorgestrel. Na parte terminal inferior do braço vertical existem dois fios de remoção.

 

 

 

 

QUESTÕES FREQUENTES RELACIONADAS AO MIRENA:

1. Como colocar Mirena?

Mirena é um dispositivo de que necessita de ser colocado e removido pelo ginecologista, sendo inserido após um exame ginecológico, que serve para determinar a posição e dimensão do útero. Em alguns casos este procedimento pode causar dor e desconforto e por isso o médico pode optar por aplicar uma anestesia local no colo do útero. Além disso, Mirena deve ser inserido no início do período menstrual, de preferência nos primeiros 7 dias. O DIU pode também ser colocado imediatamente após um aborto no primeiro trimestre, desde que não haja infeções genitais.              É possível que o dispositivo provoque alguma dor ou desconforto durante primeiras semanas de utilização, devendo o médico ser consultado em caso de dor intensa ou persistente.

 

2. Como saber se Mirena está está adequadamente colocado?

 

 

 

Apenas o médico consegue saber se Mirena está inserido corretamente, porém em casa é possível verificar se os fios do dispositivo estão no local correto. Para isso, basta inserir um dedo na vagina (como se estivesse colocando um absorvente interno) e sentir os fios de do dispositivo com a ponta do dedo. Se não conseguir encontrar os fios deve ir ao médico logo que possível, para que ele possa verificar.

 

 

 

3. Por quanto tempo pode ser utilizado?

Mirena pode ser usado durante 5 anos consecutivos, e no final deste período o dispositivo deve ser retirado pelo médico, existindo sempre a possibilidade de colocar um novo dispositivo.  Depois da colocação do dispositivo, é recomendado verificar se este se encontra corretamente inserido após 4 a 12 semanas.

4. Pode alterar a menstruação?

Mirena pode alterar o período menstrual pois é um método contraceptivo que afeta este ciclo. Durante a sua utilização, podem ser observadas pequenas quantidades de sangue, sangramentos ligeiros ou abundantes, dependendo do organismo de cada mulher. Em alguns casos, os sangramentos podem ser ausentes, deixando de existir menstruação.  Quando Mirena é removido do organismo, como já não existe o efeito do hormônio, a menstruação deverá voltar ao normal, logo no mês seguinte.

5. Mirena prejudica a relação prejudica a relação sexual?

Durante a utilização do dispositivo não é esperado que ele interfira com a relação sexual. Se isto acontecer, porque há dor ou porque é possível sentir a presença do dispositivo, é recomendado que interrompa o contato íntimo e procure o médico para verificar se o dispositivo está corretamente posicionado.  Além disso, depois da colocação de Mirena as relações sexuais são contraindicadas nas primeiras 24 horas, para que o organismo possa adaptar-se ao novo método contraceptivo.

6. É possível usar absorvente interno ou copo menstrual?

Durante a utilização de Mirena o mais indicado é usar absorventes externos, porém os absorventes internos ou copos menstruais também podem ser usados, desde que sejam removidos com cuidado para não puxar os fios do dispositivo.

7. O Mirena pode sair sozinho?

Raramente, pode acontecer Mirena ser expulso do organismo durante o período menstrual. Nestes casos pode ser difícil perceber que isto aconteceu, devendo por isso ficar atenta ao fluxo menstrual, que se aumentar pode ser sinal de que já não está sob o efeito dos hormônios.

8. É possível ficar grávida depois de retirar o dispositivo?

Mirena é um dispositivo que não interfere com a fertilidade e por isso depois de retirado existe a chance de engravidar.  Assim, depois de retirar Mirena é recomendado que utilize outros métodos anticoncepcionais para prevenir a gravidez.

9. A utilização do Mirena pode levar ao aumento de peso?

Tal como acontece com outras pílulas anticoncepcionais, Mirena pode levar ao aumento do peso pois trata-se de um método anticoncepcional que funciona à base de hormônios.

10 . É necessário utilizar outros métodos contraceptivos junto com o Mirena (como camisinha, por exemplo)?

Mirena funciona como um método contraceptivo hormonal e apenas previne a gravidez, não protegendo o organismo contra doenças sexualmente transmissíveis. Por isso, durante o uso de Mirena é recomendada a utilização de métodos contraceptivos barreira como a camisinha, que protejam contra doenças como AIDS ou gonorreia, por exemplo. Além disso, é importante lembrar que é possível engravidar com DIU hormonal como Mirena, porém este é um acontecimento raro que acontece quando o dispositivo se encontra fora da sua posição, podendo provocar uma gravidez ectópica.

11 . Quando consultar o médico?

Deve verificar o seu DIU 4 – 12 semanas depois da inserção, e depois regularmente pelo menos uma vez por ano. Além do mais, deve consultar o seu médico se alguma das seguintes situações ocorrer:

  • Não sentir os fios na sua vagina;
  • Sentir a parte inferior do dispositivo;
  • Pensar que poderá estar grávida;
  • Tiver dor abdominal persistente, febre ou corrimento vaginal anormal;
  • Sentir (ou o seu parceiro) dor ou desconforto durante a relação sexual;
  • Houver mudanças bruscas nos seus períodos menstruais (por exemplo, se o seu período menstrual for curto ou não existir, e depois tiver uma hemorragia persistente ou dor, ou se tiver hemorragia menstrual muito intensa);
  • Tiver outros problemas médicos, como enxaquecas ou dores de cabeça intensas recorrentes, problemas súbitos de visão, icterícia ou pressão sanguínea elevada.